domingo, 9 de maio de 2010

Precisão e adequação vocabular

 
 

Enviado para você por Penha através do Google Reader:

 
 

via dicas de português de Sérgio Nogueira em 05/05/10

11. QUESTIONAR ou PERGUNTAR?

A frase é: "Quem é você, questionou o delegado."
O mais adequado é: "Quem é você?, perguntou o delegado."
Questionar não é, como muitos imaginam, sinônimo de perguntar. Se você quer saber alguma coisa, pergunte. Questionar é "levantar questão, pôr em dúvida, discutir". Nós podemos, por exemplo, "questionar a validade de um contrato", "questionar a veracidade das denúncias", "questionar a importância de um projeto"…
O problema é o uso do verbo questionar, que não é sinônimo do verbo perguntar. O substantivo questionário é "uma série de questões ou perguntas". Isso significa que um conjunto de perguntas forma um questionário. Ainda não inventaram o "perguntário".

12. ADMITIR ou CONFESSAR?

A frase é: "Ele admitiu que matou mais de dez crianças."
O mais adequado é: "Ele confessou que matou mais de dez crianças."
O verbo admitir, nesse caso, significa "reconhecer, confessar". O problema é que o verbo admitir apresenta uma carga muito leve. A frase pede um verbo mais forte. Vejamos alguns exemplos em que o verbo admitir está bem empregado: "O professor admitiu que errou"; "A falha foi minha, admitiu o gerente"; "O atacante admite que não vem jogando bem".
Estranho mesmo é o uso do verbo admitir, que tem carga negativa, em frases "positivas": "Ele admite que está fazendo o maior sucesso". De duas uma: ou ele havia negado e só agora está reconhecendo o seu sucesso; ou ele apenas disse (ou afirmou) que está fazendo muito sucesso.
Melhor é usarmos o verbo admitir, no sentido de "reconhecer", apenas em frases "negativas": "Admitiu o seu fracasso"; "Admitiu o seu erro"; "Admitiu o seu esquecimento".

13. AO CONTRÁRIO DE ou DIFERENTEMENTE? e COM RESERVAS ou RESERVADAMENTE?

A frase é: "Ao contrário do que foi publicado ontem, Ronaldinho já fez 32 e não 31 gols."
O adequado é: "Diferentemente do que foi publicado ontem, Ronaldinho já fez 32 e não 31 gols."
A expressão ao contrário de só deve ser usada quando houver a ideia de "coisas opostas", quando as palavras apresentarem sentidos contrários. Ora fazer 32 em vez de 31 gols não são "coisas opostas", são apenas diferentes. Portanto, quando um órgão de comunicação comete um erro e deseja fazer uma correção, o mais adequado é usar o advérbio diferentemente, ou seja, é uma informação diferente daquela que foi publicada anteriormente. Só podemos usar a expressão ao contrário de se a correção disser o oposto ao que foi divulgado: "Ao contrário do que foi publicado ontem, Fulano de Tal foi julgado inocente, e não culpado."
Também merece cuidado o uso do advérbio reservadamente. Não podemos confundir com a expressão com reservas. Observe a diferença: "O assunto deve ser tratado reservadamente" e "O assunto deve ser tratado com reservas". Tratar um assunto reservadamente significa tratá-lo "confidencialmente, sigilosamente, a sós"; tratar um assunto com reservas significa tratá-lo "com cuidado, com restrições, impondo limites". Em outras palavras: "guardar alguns segredos, não falar tudo que sabe".

14. DEFICITÁRIA ou INEFICIENTE ou DEFICIENTE?

A frase é: "Por não atingir os objetivos propostos, o presidente considerou a campanha deficitária."
O correto seria: "Por não atingir os objetivos propostos, o presidente considerou a campanha ineficiente."
Deficitária e ineficiente são dois adjetivos bem diferentes. Uma "campanha deficitária" seria aquela que causasse prejuízo financeiro, ou seja, que causasse déficit. Por outro lado, se a campanha não foi eficiente, porque não atingiu os objetivos propostos, ela foi ineficiente. Então não esqueça: deficitário é "o que causa déficit" e ineficiente é "o que não é eficiente".
Também não devemos confundir ineficiente com deficiente. Já vimos que ineficiente é tudo aquilo que não é eficiente. Só devemos usar deficiente quando houver "falha, falta de alguma coisa, imperfeição". Daí o deficiente físico. Se estiver faltando alguma coisa no desempenho de um profissional, precisamos saber qual é sua deficiência. Agora, se uma empresa não é mais tão eficiente quanto era no passado, devemos buscar as causas da sua ineficiência.

15. O RESTO ou OS DEMAIS?

A frase é: "O primeiro da fila já pode entrar. O resto deve aguardar na sala ao lado."
O adequado é: "O primeiro da fila já pode entrar. Os demais devem aguardar na sala ao lado."
A palavra resto apresenta, entre nós, uma forte carga negativa. É pejorativo tratarmos as pessoas por resto. Soa muito estranho quando ouvimos na televisão: "Rio de Janeiro e São Paulo assistem a São Paulo e Botafogo. O resto do país fica com o jogo Grêmio e Goiás." Parece que é a "porcaria" que restou. Por causa dessa carga pejorativa, devemos evitar o uso da palavra resto. A palavra restante ameniza um pouco, mas só ameniza, pois ainda apresenta alguma carga negativa. Melhor mesmo é usar "os demais", "os outros"…
Isso tudo me faz lembrar a velha distinção que aprendemos nos bons tempos de escola: "o professor não erra; no máximo ele se engana". Mais tarde é o chefe: "ele nunca erra; eventualmente se engana". É visível que o uso de engano, em vez de erro, é para suavizar o fato. Um colega certa vez definiu bem a diferença que a maioria das pessoas faz para erro e engano: "quem erra é por burrice ou ignorância; quem se engana é por descuido ou desatenção".


 
 

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